Os olhos mantinham-se fixos no teto ainda que sua mente vagasse por lembranças, essas que obrigavam seu rosto – antes límpido – encharcar-se. A voz embargada, praticamente presa, pelo choro que estava por vir. Silêncio. As lágrimas escorriam por ambas as bochechas descendo até as orelhas a fim de tocar o travesseiro macio. Lufadas de ar a acompanhavam. “Eu sinto tanto a sua falta.” Disse em tom baixo, mais para si do que para o vazio no peito e no quarto. Jurou a si mesma que dormiria ainda que doesse ao acordar.
my way or highway
segunda-feira, 21 de março de 2011
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
It's a small crime and I've got no excuse
A música me fazia rodar, as palavras me arrancavam o ar. “Respire; respire.” Esta voz me trazia à melodia semelhante às músicas que tocam em salas de espera de consultórios psiquiátricos. Psiquiatra... Quiçá teus pensamentos cheguem à conclusão de que necessite de um, mas a propósito, muitos dizem por aí que um assassino precisa ter uma vida ou um passado conturbado, talvez abusos sexuais na infância, rejeição dos pais e etc. Eles apenas esquecem de lhe mencionar um único detalhe; há por aí assassinos com uma vida completamente normal assim como seu passado livre de abusos e coisas do gênero, a maior diferença desse tipo para o anterior é: A sede por sangue não se torna necessidade, e sim, prazer.
Da mesma forma que àquela música é um tipo de calmante... também me é muito irritante e a voz voltou a chamar.
- Eu vou contar até três para você calar essa sua boca imunda, Sasha. - Minha fala fluiu por entre os lábios secos enquanto meus olhos ainda mantinham sua cor em segredo, coberto pelas pálpebras pálidas. Sasha é digna de uma beleza sem comparação o que lhe estraga é sua lerdeza intelectual. Não hesitaria em cortar-lhe a garganta quando esta começasse com aqueles gemidos dignos de uma cadela no cio. Meus pesadelos não eram freqüentes, mas quando decidiam me visitar, posso te dizer com convicção que não era agradável.
- Poderia ser mais simpático às vezes, Asriel. - Ela grunhiu irritada, afastei-a de meu corpo sem usar movimentos bruscos. As gotículas de suor escorriam de meu pescoço á meu peito nu; saí da cama deslocando-me sem pressa até a janela, essa foi aberta e o ar gélido me benzeu os músculos fazendo com que eu pudesse suspirar aliviado. - Me deixe em paz. - Não me virei para fitá-la, mas sabia que Sasha tinha bufado e deixado o quarto. Apoiei ambos os braços sobre o para peito cobrindo novamente os olhos azuis com as pálpebras claras, inspirando com gosto.
A morte torna-se um problema quando involuntariamente desiste de ser solução, quando o que deveria lhe deixar permanece cravado em seu peito, em sua mente, em seu inconsciente e isso lhe visita em noites como essa. Grandes feridas nem sempre se fecham, lindas promessas nem sempre se cumprem. É a lei. Faça parte da exceção.
O sono não foi capaz de me encontrar durante o resto da noite mas quem se preocupa com isso quando se tem milhões de segredos para desvendar? É o que se ganha ao ser pago para ouvir problemas, encontrar soluções... O tempo é curto e as incógnitas teimam em escapar por entre os vãos de meus dedos. A respiração pesada dela me arrancou de devaneios, não podia negar, no fundo Sasha era boa pra mim, não o suficiente, mas era.
Uma data importante se aproximava, dali a duas semanas completar-se-iam dois anos desde a morte de minha filha, Valentina, após esse acontecimento minha maior inimiga tornou-se a vida, agora eu a tiro de quem quero e até hoje ninguém mostrou-se capaz de perceber que para denominar-se Deus basta ter sangue nas mãos, almas sofridas sobre os braços e perdões concedidos. A mente humana é algo tão inconstante quanto meu humor, talvez seja esse o grande motivo para nos darmos tão bem.
- Asriel você precisa dormir. - Sasha informou-me com a voz embargada pelo sono, seus cabelos dourados reluziam como uma lanterna no quarto escuro. - Já estou aqui. - Minha voz muito mais calma e rouca do que há algumas horas atrás lhe tocou os ouvidos, acariciando-os, puxei-a para meu peito “Asriel você precisa dormir.” Repeti em meus pensamentos mergulhando na escuridão de minhas pálpebras.
Llamado de emergencia.
- É a terceira vez que acordo hoje. O quinto cigarro que eu deixo morrer nos dedos e, mesmo incapaz de numerar minha preguiça, sei que esta permanece gotejando pelos meus ombros, escorrendo feito culpa. - Dissera ela como numa reunião para viciados e ao fitar o espelho, mesmo de longe, tragava a si mesma com olhos obcecados. Quanta auto-estima. Um jazz dava ao local uma aparência calma, e ao ar daquela música todos os movimentos pareciam estar em câmera lenta.
A porta do minúsculo apartamento se abriu revelando a nós todos, senhores, a imagem mal paga de Rafael. Ele era alto, as costas largas e bem talhadas em músculos proporcionais a sua altura, a barba lhe modelava a face dando um ar mais velho. - Que porra de música é essa, Carolina... - Esbravejou batendo a porta e após aquele estalido o local que antes parecia ter um ar calmo, voltou a rotina.
- Vai tomar no cu, Rafael... O que você quer?! - Todos sabiam que a menina tinha um gênio do cão, sem contar com a personalidade forte. Botava no chão qualquer macho de quinta, e ainda pisava com seu salto no peito do maldito; exceto com Rafael. Nas mãos dele ela era apenas mais uma cadelinha disposta a crer em todas as fantasias literárias que ele expusesse.
O homem retirou o paletó imundo e jogando-o sobre qualquer móvel a fitou, Rafael pôde senti-la estremecer apenas com a fúria contida em suas íris. - O que eu quero? - Repetiu pausadamente a pergunta, agora, retórica. - Você só pode estar de brincadeira comigo, garota, de brincadeira... Tarde da noite e ainda não se deu ao luxo de levantar a bunda da cama. Isso aqui tem cara de hotel, querida? - As últimas palavras foram ditas entredentes e na medida em que ele as pronunciava, sucessivamente, se aproximava tomando o maxilar alvo da garota em uma das mãos, com força, obrigando-a fitá-lo. - Eu tenho cara de que, meu amor? - O tom se tornara aveludado, mas ainda escondia certa repulsa nas palavras. O medo ia se esvaindo dos olhos de Carolina e ao invés de escorrer para qualquer outro lugar, eu realmente não sei onde ele foi parar. - Eu... não quero trabalhar fora hoje. - As palavras vieram trabalhadas naquele tom sensual que toda puta contém por nascença. Algumas mulheres escolhem, outras nascem pra isso. É como dizem, ou não. Realidade infeliz.
O corpo esguio da morena moveu-se de modo calmo como quem tenta apaziguar uma fera. Trocaram de lugar. Carolina estava sentando sobre o colo dele enquanto Rafael cedia aos encantos - por assim dizer. Agora quem estava por cima e quem ditaria as regras era ela. Sedução. Um poder sem igual. Deslizou os lábios fartos pela orelha dele, e junto da boca saiu a língua, prendendo seu lóbulo e sugando-o; respirando ali enquanto lembrava de soltar alguns sussurros, que mais nos lembrariam gemidos. Rafael já tinha ambos os olhos fechados e foi esse seu pecado. O pequeno canivete, guardado junto a um dos seios deslizou ágil pela mão habilidosa de Carolina e aqueles foram os últimos gemidos que Rafael pôde ouvir.
"Cafetão é encontrado aos pedaços em seu sujo apartamento no centro de São Paulo, a polícia ainda não idenficou suspeitos (...)"
Um crime - não tão digno de primeira página. Muita sacanagem pra uma manhã só, riu-se Carolina sorvendo um longo gole de seu café. Viciada no medo, fugia.
A porta do minúsculo apartamento se abriu revelando a nós todos, senhores, a imagem mal paga de Rafael. Ele era alto, as costas largas e bem talhadas em músculos proporcionais a sua altura, a barba lhe modelava a face dando um ar mais velho. - Que porra de música é essa, Carolina... - Esbravejou batendo a porta e após aquele estalido o local que antes parecia ter um ar calmo, voltou a rotina.
- Vai tomar no cu, Rafael... O que você quer?! - Todos sabiam que a menina tinha um gênio do cão, sem contar com a personalidade forte. Botava no chão qualquer macho de quinta, e ainda pisava com seu salto no peito do maldito; exceto com Rafael. Nas mãos dele ela era apenas mais uma cadelinha disposta a crer em todas as fantasias literárias que ele expusesse.
O homem retirou o paletó imundo e jogando-o sobre qualquer móvel a fitou, Rafael pôde senti-la estremecer apenas com a fúria contida em suas íris. - O que eu quero? - Repetiu pausadamente a pergunta, agora, retórica. - Você só pode estar de brincadeira comigo, garota, de brincadeira... Tarde da noite e ainda não se deu ao luxo de levantar a bunda da cama. Isso aqui tem cara de hotel, querida? - As últimas palavras foram ditas entredentes e na medida em que ele as pronunciava, sucessivamente, se aproximava tomando o maxilar alvo da garota em uma das mãos, com força, obrigando-a fitá-lo. - Eu tenho cara de que, meu amor? - O tom se tornara aveludado, mas ainda escondia certa repulsa nas palavras. O medo ia se esvaindo dos olhos de Carolina e ao invés de escorrer para qualquer outro lugar, eu realmente não sei onde ele foi parar. - Eu... não quero trabalhar fora hoje. - As palavras vieram trabalhadas naquele tom sensual que toda puta contém por nascença. Algumas mulheres escolhem, outras nascem pra isso. É como dizem, ou não. Realidade infeliz.
O corpo esguio da morena moveu-se de modo calmo como quem tenta apaziguar uma fera. Trocaram de lugar. Carolina estava sentando sobre o colo dele enquanto Rafael cedia aos encantos - por assim dizer. Agora quem estava por cima e quem ditaria as regras era ela. Sedução. Um poder sem igual. Deslizou os lábios fartos pela orelha dele, e junto da boca saiu a língua, prendendo seu lóbulo e sugando-o; respirando ali enquanto lembrava de soltar alguns sussurros, que mais nos lembrariam gemidos. Rafael já tinha ambos os olhos fechados e foi esse seu pecado. O pequeno canivete, guardado junto a um dos seios deslizou ágil pela mão habilidosa de Carolina e aqueles foram os últimos gemidos que Rafael pôde ouvir.
"Cafetão é encontrado aos pedaços em seu sujo apartamento no centro de São Paulo, a polícia ainda não idenficou suspeitos (...)"
Um crime - não tão digno de primeira página. Muita sacanagem pra uma manhã só, riu-se Carolina sorvendo um longo gole de seu café. Viciada no medo, fugia.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Seria deveras considerável escrever e descrever uma pessoa a qual se conhece. Mas para isso deveria estar preparado, entrarei em zonas desconhecidas, diversos sentimentos espalhados por toda a casa, dores sem culpa penduradas feito enfeites; amores - se é disso que posso chamá-los - extraordinários tirados e espalhados pela mesa da cozinha, enchendo a geladeira por completo. Algo tão significativo como meu coração e dessa vez lhes falo como seu sentido único: Um orgão. Escolher a trilha sonora para o momento ideal, escrever uma carta que possivelmente não será lida. O sentimento recíproco que se regenera, ou pelo menos deveria. Meu pensamento mantém-se em apenas um deles: saudade. Ela dói, me esfola e me mata aos poucos. Procuro refugio em qualquer coisa, algo que me tire desse ardor - que já não sei se é do peito ou do álcool que não costuma descer terno pelo meu esôfago - e nada encontro. Vodka, cigarros, e um beijo. Boa noite. Boa? Me irrita ler e reler textos tão piegas, e aqui estou eu disposta de uma hipocrisia sem igual. Hoje em dia as coisas tem sido diferentes, tenho preguiçar de sofrer. Realmente.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
It's over.
- Por favor... - As palavras deixavam-lhe os lábios manchados, machucados, molhados; o gosto deliciosamente doce impregnava-lhe a língua macia e ela já não conseguia distinguir aquele sabor peculiar. E lá estava ele, próximo; Gabriel, homem de ombros largos, um metro e noventa de um corpo muito bem estruturado. Se chutasse diria que chegaria aos quarenta logo, logo. Deveriam chamá-la de Lolita por se envolver com homens assim, deixei o ar escapar pelos meus pulmões silenciosamente. Sara retomou rapidamente as lamúrias: - Me deixas tão ansiosa que perco o sono apenas por escutar seu nome. Chega, por favor. - Quem te viu quem te vê, Lolita, a menina antes cruel estava entregue a um canalha. Clichê demais. Notei-a proferir as duas últimas palavras num sussurro cansado, desviando o olhar ao outro lado pude vê-lo mover-se feito um leão, calculando seus movimentos naquela jaula pequena demais. "- Quem diz chega sou eu, acabou." Repetiu o moreno em um rugido abafado pelos dentes extremamente fieis, o deboche desenhando seus lábios num sorriso. Sara foi atingida por cada letra provinda de tais palavra, não fui capaz de compreender como suas pernas não cederam. Gabriel a fitou, tinha prazer em fazê-lo - sempre teve, mesmo em tais circunstâncias - pude senti-lo inspirar, pela última vez, o perfume da morena que mesclava-se, de uma forma deliciosa, ao medo que desta emanava. Conformado girou nos calcanhares deixando a belíssima sala de música. Sozinha Sara deixou-se cair sobre os joelhos - estes que se apoiavam sem dó sobre o chão frio - seus ombros moviam-se numa melancolia só. E foi a última vez que pude vê-la chorar - através da fresta de uma porta.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Esse mundo deve ser o inferno de outro planeta.
Com um sorriso no canto da boca, se é que podemos chamar essa leve curvatura dos meus lábios de sorriso, continuo seguindo.
Me abordam com a seguinte pergunta:
- Como está o teu dia?
Respondo com na tentativa de obter um ar cafajeste e satisfeito, mas acho que foi em vão:
- Um inferno.
Continuo minha caminhada sem pressa, desviando o olhar daquele que a pouco me abordara, afinal, viver neste mundo é o inferno com uma grande dose de putaria. Convenhamos.
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